Concreto Armado
Como dimensionar uma cortina de estacas
Dimensionar uma cortina de estacas é definir a ficha que equilibra a escavação, os esforços que chegam a cada estaca e a armadura da seção circular. O roteiro combina duas leituras do mesmo problema: o equilíbrio limite, que iguala os momentos de empuxo ativo e passivo para achar a ficha mínima, e o modelo de viga sobre molas horizontais (hipótese de Winkler), que devolve momentos, cortantes e deslocamentos reais, estágio a estágio. Este artigo percorre coeficientes de empuxo, diagrama de pressões, ficha, tirantes e verificação estrutural da estaca pela ABNT NBR 6118 e NBR 6122, e fecha com um exemplo numérico completo de cortina em balanço.

O que significa dimensionar uma cortina de estacas
Cortina de estacas é uma linha de estacas de concreto armado executada antes da escavação. O trecho enterrado abaixo do fundo — a ficha — é o que segura a parede: ali o solo mobiliza empuxo passivo. Dimensioná-la é dizer quanta ficha, que esforços chegam a cada estaca, se entram tirantes e que armadura a seção exige.
Dois modelos respondem. O equilíbrio limite supõe o solo plastificado dos dois lados e resolve momentos até a menor ficha que equilibra a parede. O modelo de interação solo-estrutura (Winkler) trata a cortina como viga sobre molas e devolve esforços e deslocamentos compatíveis com a rigidez real. Vale a maior ficha das duas — com vizinho na divisa, manda o deslocamento.
Dados necessários antes de começar
- Geometria: altura escavada H, ficha pretendida, diâmetro D e espaçamento a entre eixos.
- Perfil geotécnico por camada: espessura, pesos específicos natural e saturado, φ, coesão c, atrito δ e o NSPT metro a metro, que alimenta o kh.
- Água e sobrecarga: nível d'água atrás da cortina e sobrecarga no terrapleno.
- Materiais: fck, fyk, classe de agressividade e cobrimento — em moldada in loco, bem maior que em pré-moldada (NBR 6122:2022, NBR 6118:2023 §7.4).
- Coeficientes: γf = 1,4 nas ações e γs = 1,15 no aço. O γc do concreto da estaca não é 1,4: peça moldada in loco é minorada pela ABNT NBR 6122 Tabela 4 — hélice contínua nas classes de agressividade I e II usa γc = 2,7 (escavada, 3,1), e as classes III e IV são mais severas. Somam-se os fatores de segurança da ficha e do tombamento (2,0, na partida).
As etapas do cálculo
1. Coeficientes de empuxo e diagrama de pressões
Com terrapleno horizontal e sem atrito solo-estrutura, Rankine e Jáky:
Ka = tan²(45° − φ/2) · Kp = tan²(45° + φ/2) · K0 = 1 − sen φ
Com δ > 0 o ativo passa a Coulomb (Kerisel-Absi). Na profundidade z, com σv = γ·z + q, vale pa = máx[0; Ka·σv − 2c·√Ka] — a parcela negativa que a coesão gera junto à superfície não alivia o empuxo, e a fenda de tração conta cheia d'água havendo infiltração. Abaixo do fundo vale pp = Kp·γ·zf + 2c·√Kp, zf contado do fundo. A água entra separada dos dois lados, e o solo abaixo dela pesa submerso.
2. Ficha mínima por equilíbrio limite
Momento na base, com o ativo do topo à base e o passivo do fundo para baixo:
Mativo = γ·Ka·Ht³/6 + q·Ka·Ht²/2 · Mpassivo = γ·Kp·Zp³/(6·FS)
com Ht = H + Zp. De Mativo = Mpassivo sai Zp, e a ficha de projeto é 1,3 · Zp — os 30% a mais cobrem a reação invertida abaixo do ponto de rotação.
A segurança entra em três lugares, com fichas distintas: MRP minora φ antes de Ka e Kp; MMP mantém os coeficientes brutos e minora o passivo; MPPL usa o diagrama de pressão líquida, com (Kp − Ka) do lado resistente.
3. Ficha e esforços pelo modelo de Winkler
A cortina vira viga de rigidez EI sobre molas horizontais de coeficiente kh (kN/m³). Vesić acopla a rigidez do solo à da peça: kh = (0,65/D)·12√(Es·D⁴/EI)·Es/(1 − ν²); Schmitt, Rausch e Teng são alternativas, com kh variando por fator 2 a 3 — o valor se confere, não se aceita.
Três cuidados. Antes de escavar o solo atrás está no repouso (K0); com o deslocamento a pressão cai para o ativo e sobe para o passivo à frente, e as molas plastificam nesses limites. Cortina não é parede contínua: abaixo do fundo, a pressão por estaca depende de D e do espaçamento. E escava-se por estágios, armando pela envoltória — com tirantes o esforço governante raramente está na etapa final. A ficha exigida é lida no diagrama: onde o momento se anula.
4. Tirantes: força e comprimentos
Quando o balanço deixa de fechar, entram as ancoragens. Com uma linha só vale o método da base livre: momento nulo no tirante dá Zp, e a diferença entre empuxo atuante e resistido é a força horizontal Fh por metro. A carga de trabalho é T = Fh · ah / cos i (ah = espaçamento, i = inclinação); com mais linhas, vale o diagrama de pressão aparente.
O comprimento livre leva o bulbo para fora da cunha ativa. A distância horizontal até o plano da cunha é dh = (H − zt)·tan(45° − φ/2); para tirante inclinado de i, o trecho sobre o eixo vale L = dh/(cos i + sen i·tan(45° − φ/2)). Ambos são mínimos de geometria: a ABNT NBR 5629 impõe comprimento livre mínimo de 3,0 m e ensaio em todos os tirantes, e é esse piso que governa em escavação rasa.
5. Verificação estrutural da estaca
Os diagramas saem por metro linear; a conversão é direta: Mestaca = M(kN·m/m) · a e Vestaca = V(kN/m) · a — espaçar mais não reduz esforço, concentra.
A seção é verificada à flexo-compressão: o par (Nd, Md) = (γf·Nk, γf·Mk) — a normal vem do peso próprio e da vertical da protensão — precisa cair dentro da envoltória resistente da armadura adotada. O concreto entra como fcd = fck/γc com o γc da NBR 6122 Tabela 4 — adotar 1,4 quase dobra a fcd e apaga a margem que a norma reserva à concretagem contra o solo. Taxas pela NBR 6118:2023 §17.3.5.3: As,mín = maior entre 0,15·Nd/fyd e 0,4%·Ac e As,máx = 8%·Ac, contando a sobreposição nas emendas.
No cisalhamento, Modelo I (§17.4.2), bw = D e d = D − cobrimento − φestribo − φlong/2:
- Biela: VRd2 = 0,27·(1 − fck/250)·fcd·bw·d. Se estourar, o remédio é reduzir o espaçamento entre estacas (Vestaca é proporcional a a) ou acrescentar linha de tirante; aumentar diâmetro ou fck vem por último.
- Concreto e estribos: Vc = 0,6·fctd·bw·d, com fctd = 0,7·fctm/γc, e Asw/s = (Vsd − Vc)/(0,9·d·fywd), contra a mínima ρsw = 0,2·fctm/fywk (§17.4.1.1.1), que governa quase sempre. Espaçamento máximo 0,6d ≤ 30 cm, ou 0,3d ≤ 20 cm se Vsd > 0,67·VRd2.
Fecha-se com o tombamento: momento do passivo sobre o do ativo mais água, polo na base ou na linha de tirante.
Exemplo numérico
Números demonstrativos, que não substituem o cálculo do seu caso. Escavação de 3,50 m junto a divisa, sobrecarga de 10 kPa, areia siltosa: γ = 18 kN/m³, φ = 30°, c = 0, NSPT ≈ 12, sem NA. Estacas hélice contínua Ø 50 cm a cada 0,70 m, C30, CA-50, CAA II, cobrimento 5,0 cm; γf = 1,4; γc = 2,7 (NBR 6122 Tabela 4); γs = 1,15. Daí Ka = 0,333; Kp = 3,000; K0 = 0,500.
Ficha por equilíbrio limite (MMP, FS = 2,0). Com γ·Ka/6 = 1,000 e q·Ka/2 = 1,667 do lado ativo e γ·Kp/12 = 4,500 do resistente, resolve-se (3,50 + Zp)³ + 1,667·(3,50 + Zp)² = 4,500·Zp³. Em Zp = 6,19 m os lados quase coincidem (909,9 + 156,5 = 1066,4 contra 1067,3); a raiz é 6,185 m, e a ficha mínima vale 1,3 × 6,185 = 8,04 m. Pelo MRP (φ minorado: Ka = 0,490 e Kp = 2,040) sairia 8,61 m; pelo MPPL, 7,37 m.
O modelo de molas, com kh por Vesić a partir do NSPT (≈ 12,5 MN/m³), exigiu 8,10 m — a ficha governante, e a adotada: comprimento total 11,60 m.
| Etapa | Valor | Verificação |
|---|---|---|
| Momento por estaca (147,3 × 0,70) | 103,1 kN·m | Md = 1,4 × (147,3 × 0,70) = 144,4 kN·m |
| Cortante por estaca (54,5 × 0,70) | 38,2 kN | Vsd = 1,4 × (54,5 × 0,70) = 53,4 kN |
| Normal (peso próprio) | 56,9 kN | Nd = 1,4 × 56,9 = 79,7 kN |
| Deslocamento horizontal | 28,9 mm | 0,83% de H — alto |
| As requerida / mínima | 18,40 / 7,85 cm² | mínima = 0,4% × 1963,5 cm² |
| Armadura adotada | 10 Ø 16 = 20,11 cm² | requerida 0,94%, adotada 1,02%; folga 97,7 mm |
| Vsd / VRd2 | 53,4 / 573 kN | razão 0,09 — biela folgada |
| Vc + Vsw,mín | 98 + 98 = 196 kN | > Vsd → mínima governa: Ø 8 c/17 cm |
| Tombamento (polo na base) | 4783 / 1785 = 2,68 | ≥ 2,0 |
Os 18,40 cm² já embutem o γc = 2,7: com 1,4, o mesmo esforço pediria 14,34 cm² — 22% menos armadura —, além de VRd2 de 1105 kN e Vc de 189 kN. E repare: tudo passa no estado-limite último com folga larga, mas a cortina anda 28,9 mm no topo, 0,83% de H. Junto a divisa com edificação isso costuma ser inaceitável, e ficha de 8,10 m para 3,50 m de corte é antieconômica.
Com uma linha de tirantes a 1,20 m da superfície, inclinada 15° e espaçada 2,10 m, o quadro muda de patamar: o momento por estaca cai para 24,8 kN·m, o deslocamento para 1,9 mm e a ficha exigida para 4,37 m, com 93 kN de carga de trabalho por tirante. A cunha ativa devolve dh = 2,30 × tan 30° = 1,33 m na horizontal, ou 1,19 m sobre o eixo inclinado — valores geométricos, muito abaixo do comprimento livre mínimo de 3,0 m da NBR 5629, que é o que se adota. É esse encadeamento que a calculadora de cortina de estacas do CalcproX percorre: os dois caminhos de ficha, os estágios construtivos e o dimensionamento da estaca na mesma passada.
Erros comuns
- Usar γc = 1,4 na estaca. Moldada in loco segue a NBR 6122 Tabela 4 (2,7 em hélice contínua nas CAA I e II; 3,1 em escavada); 1,4 superestima fcd, VRd2 e Vc, e subarma a peça.
- Parar no equilíbrio limite. Ele dá ficha, não deslocamento — e em obra urbana é o deslocamento que define a solução.
- Esquecer a água. A hidrostática entra separada do empuxo, dos dois lados, e abaixo do NA o solo atua submerso.
- Adotar δ e c generosos. Encurtam a ficha no papel e somem em obra; coesão não drenada não é parâmetro para contenção permanente — e a parcela negativa do ativo nunca é descontada.
- Confundir comprimento livre geométrico com o normativo. Tirar o bulbo da cunha é o mínimo de cálculo; a NBR 5629 exige 3,0 m.
- Ignorar a vertical do tirante. Ancoragem inclinada comprime a estaca e muda a envoltória de flexo-compressão.
Responsabilidade técnica
Nenhuma ferramenta — inclusive a nossa — substitui o projetista. Parâmetros geotécnicos e NSPT vêm de investigação interpretada por engenheiro; método de ficha, fatores de segurança, espaçamento e arranjo de ancoragens são decisão de engenharia. Estabilidade global, ruptura de fundo, carga axial das estacas (Décourt-Quaresma, Aoki-Velloso, NBR 6122) e efeitos na vizinhança são análises específicas, fora do modelo plano. Havendo vizinho na divisa, nível d'água elevado ou solo mole, procure o engenheiro responsável: a responsabilidade técnica pelo projeto e pela execução (ART/RRT) é do engenheiro civil habilitado.
Perguntas frequentes
Como calcular a ficha de uma cortina de estacas?
Por dois caminhos, e vale o maior. No equilíbrio limite, toma-se momento na base da cortina: Mativo = γ·Ka·Ht³/6 + q·Ka·Ht²/2 igualado a Mpassivo = γ·Kp·Zp³/(6·FS), com Ht = H + Zp; da raiz Zp sai a ficha de projeto = 1,3 · Zp, sendo o acréscimo de 30% a reação invertida abaixo do ponto de rotação. No modelo de viga sobre molas (Winkler), a ficha exigida é a profundidade, abaixo do fundo da escavação, em que o momento fletor se anula. A ficha adotada precisa superar as duas.
Qual a fórmula do empuxo ativo e passivo de Rankine?
Com terrapleno horizontal e sem atrito solo-estrutura, Ka = tan²(45° − φ/2) e Kp = tan²(45° + φ/2); o repouso vem de Jáky, K0 = 1 − sen φ. As pressões são pa = máx[0; Ka·σv − 2c·√Ka] e pp = Kp·γ·zf + 2c·√Kp, com σv = γ·z + q e zf medido do fundo da escavação. O corte em zero é obrigatório: a parcela negativa que a coesão gera junto à superfície não alivia o empuxo, e a fenda de tração deve ser considerada cheia d'água havendo infiltração. Para φ = 30°: Ka = 0,333, Kp = 3,000 e K0 = 0,500. Com atrito solo-estrutura (δ > 0), o ativo passa a Coulomb e os pares saem de superfícies de ruptura curvas (Kerisel-Absi).
Quando a cortina de estacas precisa de tirantes?
Quando o balanço deixa de ser econômico ou deforma demais. Momento e deslocamento crescem rápido com a altura escavada: num caso de 3,50 m com estacas Ø 50 cm a cada 0,70 m, a cortina em balanço exigiu ficha de 8,10 m, deu 103,1 kN·m por estaca e andou 28,9 mm no topo. Com uma linha de tirantes a 1,20 m, inclinada 15° e espaçada 2,10 m, o momento caiu para 24,8 kN·m, o deslocamento para 1,9 mm e a ficha exigida para 4,37 m.
O que é o coeficiente de reação horizontal kh e como estimar?
É a rigidez das molas horizontais que representam o solo no modelo de Winkler, em kN/m³. Vesić acopla a rigidez do solo à da peça: kh = (0,65/D)·¹²√(Es·D⁴/EI)·Es/(1 − ν²). Schmitt usa kh = 2,1·Eoed^(4/3)/(EI)^(1/3), e Rausch e Teng são alternativas, este último tabelado por faixa de NSPT e por solo submerso ou não. Na prática, o módulo vem de correlação com o NSPT metro a metro; métodos diferentes chegam a dar kh com fator 2 a 3 de diferença, então o valor precisa ser conferido.
Qual a armadura mínima de uma estaca de cortina de contenção?
Pela NBR 6118:2023 §17.3.5.3, As,mín é o maior valor entre 0,15·Nd/fyd e 0,4% da área da seção de concreto, e As,máx = 8% dessa área, contando as regiões de emenda. Para uma estaca Ø 50 cm (Ac = 1963,5 cm²), o ramo geométrico dá 7,85 cm² e o teto é 157,1 cm². A armadura de cálculo vem da flexo-compressão com Nd e Md, lembrando que em estaca moldada in loco o concreto é minorado pela NBR 6122 Tabela 4 (γc = 2,7 em hélice contínua nas classes I e II), não por 1,4 — e adota-se sempre o maior valor entre a calculada e a mínima.
Como converter o momento por metro de cortina em momento por estaca?
Multiplicando pelo espaçamento entre eixos: Mestaca = M(kN·m/m) · a, e Vestaca = V(kN/m) · a. Com 147,3 kN·m/m e estacas a cada 0,70 m, cada estaca recebe 147,3 × 0,70 = 103,1 kN·m. Isso mostra que afastar estacas não alivia esforço — apenas concentra mais em cada peça, além de reduzir a pressão de solo que cada uma mobiliza abaixo do fundo da escavação.
Qual o deslocamento horizontal aceitável em uma cortina de estacas?
Não existe um limite normativo único: o critério é o dano admissível na vizinhança, definido pelo projetista. Na prática de escavações urbanas com edificações próximas, trabalha-se com deslocamentos horizontais da ordem de 0,2% a 0,5% da altura escavada. No exemplo do artigo, 28,9 mm para 3,50 m de escavação equivalem a 0,83% de H — valor alto, que justificou introduzir uma linha de tirantes.
Qual a diferença entre os métodos MRP, MMP e MPPL de cálculo da ficha?
Os três resolvem o mesmo equilíbrio de momentos, mudando onde entra a segurança. O MRP minora o ângulo de atrito antes de calcular Ka e Kp; o MMP mantém os coeficientes brutos e minora o empuxo passivo; o MPPL trabalha com o diagrama de pressão líquida, usando (Kp − Ka) do lado resistente. No mesmo terreno (H = 3,50 m, φ = 30°, γ = 18 kN/m³, q = 10 kPa) as fichas mínimas foram 8,61 m (MRP, FS 1,5), 8,04 m (MMP, FS 2,0) e 7,37 m (MPPL, FS 2,0).
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Dimensionamento de Cortina de Estacas — em Balanço e Atirantada
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Sobre o autor
Eng. Mauro Moura
Engenheiro civil · Sócio-proprietário da Ossamu Engenharia
- Engenheiro civil formado pela PUC-SP
- Pós-graduado em Edifícios Altos pelo Mackenzie
- Sócio-proprietário da Ossamu Engenharia
- Mais de 10 anos projetando estruturas e fundações
Conteúdo informativo. A interpretação dos resultados e a responsabilidade técnica do projeto são sempre do engenheiro responsável.
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