Estruturas Metálicas

Como dimensionar perfis formados a frio

Por Eng. Mauro Moura

Dimensionar um perfil formado a frio é calcular a resistência de uma seção de chapa fina que instabiliza antes de escoar. Pela ABNT NBR 14762:2010 isso significa reduzir a seção pela flambagem local — pelo Método das Larguras Efetivas (MLE) ou pelo Método da Seção Efetiva (MSE) —, verificar a flambagem distorcional do conjunto mesa mais enrijecedor de borda e, só então, calcular a compressão resistente com flambagem global por flexão, torção ou flexo-torção e o momento resistente com flambagem lateral com torção. Este artigo percorre cada etapa, com as fórmulas da norma, e fecha com um exemplo numérico completo de terça de galpão em perfil Ue.

Dimensionamento de perfis formados a frio no CalcproX

O que significa dimensionar um perfil formado a frio

Perfil formado a frio — ou de chapa dobrada — é o elemento de aço obtido dobrando chapa fina à temperatura ambiente, nas seções U, U enrijecido (Ue), Z, Z enrijecido (Ze) e cartola. A padronização vem da ABNT NBR 6355:2003; o dimensionamento, da ABNT NBR 14762:2010.

A diferença em relação a um laminado está na esbeltez das paredes: a parede flamba antes de a seção escoar, e em mais de um modo.

  • Flambagem local: a parede ondula entre as dobras, que permanecem retas — fenômeno do elemento, não da barra.
  • Flambagem distorcional: o conjunto mesa + enrijecedor de borda gira em torno da junção com a alma e a seção muda de forma — modo típico de Ue e Ze.
  • Flambagem global: a barra inteira instabiliza — por flexão, torção ou flexo-torção quando comprimida; por flambagem lateral com torção (FLT) quando fletida.

Dimensionar é calcular o esforço resistente de cada modo e adotar o menor. Contra a flambagem local, a norma usa a seção efetiva: as regiões que flambam deixam de contribuir, e a resistência passa a usar Aef e Wef reduzidos.

Dados necessários antes de começar

  • Seção: tipo (U, Ue, Z, Ze, cartola) e dimensões nominais bw (alma), bf (mesa), D (enrijecedor) e t (espessura), conforme a NBR 6355.
  • Propriedades geométricas: A, Ix, Iy, Wx, Wy, rx, ry e — indispensáveis nos modos torcionais — It, Cw (empenamento), x0 (centro de cisalhamento) e r0.
  • Aço: fy e fu; E = 200 000 MPa, G = 77 000 MPa e ν = 0,3.
  • Esforços de cálculo Nd, Mx,d, My,d e Vd, já majorados pela combinação.
  • Comprimentos de flambagem Lx, Ly e Lt — o último entre pontos que impedem a torção da seção.
  • Coeficientes: Cb (equivalência de momentos na FLT) e a ponderação da resistência: γ = 1,20 na compressão, γ = 1,10 na flexão e no cortante.

As etapas do cálculo

1. Larguras efetivas — Método das Larguras Efetivas (MLE)

Cada elemento plano é tratado isoladamente, pelo índice de esbeltez reduzido:

λp = (b/t) / [0,95 · √(k·E/σ)]

com b a largura da parte plana do elemento (sem as dobras), σ a tensão de compressão nele atuante e k o coeficiente de flambagem local. A largura efetiva sai da expressão de Winter: bef = b se λp ≤ 0,673, e bef = b·(1 − 0,22/λp)/λp caso contrário.

O k depende do apoio do elemento e da distribuição de tensões (razão ψ entre as bordas). Elemento AA, apoiado nas duas bordas como a alma: k = 4 + 2(1 − ψ) + 2(1 − ψ)3 — 4 na compressão uniforme, 24 na flexão pura (ψ = −1). Elemento AL, livre numa das bordas como a mesa de um U: k = 0,43; com enrijecedor de borda, k sobe até 4 conforme a relação Is/Ia.

A diferença é grande. Mesa de um U 150×50×2,65 (parte plana b = 4,47 cm, AL, k = 0,43, σ = 250 MPa): λp = 0,96 e bef = 3,60 cm — perdem-se cerca de 20% da mesa. Mesa do Ue 150×60×20×2,65 (b = 4,94 cm): o enrijecedor leva k ao limite de 4 e λp = 0,35 ≤ 0,673, mesa integralmente efetiva mesmo sendo mais larga.

Como bef depende de σ, o processo é iterativo — e σ depende do estado-limite: fy no início de escoamento da seção efetiva; χ·fy na compressão com flambagem global; χFLT·fy na FLT (NBR 14762:2010 §9.2.2.1).

2. Método da Seção Efetiva (MSE)

Alternativa da mesma norma: em vez de reduzir elemento a elemento, reduz a seção inteira a partir do esforço crítico de flambagem local — Nℓ na compressão, Mℓ na flexão —, obtido por análise elástica de estabilidade ou por kℓ tabelado:

Nℓ = kℓ · π²·E·A / [12(1 − ν²)·(bw/t)²]

Compressão, com λp = √(χ·A·fy/Nℓ): Aef = A se λp ≤ 0,776; senão Aef = A·(1 − 0,15/λp0,8)/λp0,8. Flexão, com λp = √(W·fy/Mℓ): Wef = W se λp ≤ 0,673; senão Wef = W·(1 − 0,22/λp)/λp. Como são alternativas da própria norma e nem sempre coincidem, a calculadora do CalcproX roda as duas e adota a mais favorável.

3. Flambagem distorcional

A que mais se esquece — e costuma governar em Ue e Ze com enrijecedor curto. Do esforço crítico de distorção:

  • Compressão: λdist = √(A·fy/Ndist); χdist = 1 se λdist ≤ 0,561, senão (1 − 0,25/λdist1,2)/λdist1,2. Daí Nc,Rd,dist = χdist·A·fy/1,20.
  • Flexão: λdist = √(W·fy/Mdist); χdist = 1 se λdist ≤ 0,673, senão (1 − 0,22/λdist)/λdist. Daí MRd,dist = χdist·W·fy/1,10.

A distorção usa a seção bruta, não a efetiva: os fenômenos são independentes e vale o menor dos valores.

4. Compressão — flambagem global

Forças axiais de flambagem elástica: Nex = π²·E·Ix/Lx² e Ney = π²·E·Iy/Ly² (flexão), Nez = (π²·E·Cw/Lt² + G·It)/r0² (torção). Em seções monossimétricas — U e Ue — a torção se acopla à flexão:

Nexz = [(Nex + Nez)/(2(1 − (x0/r0)²))] · [1 − √(1 − 4·Nex·Nez·(1 − (x0/r0)²)/(Nex + Nez)²)]

Ne é o menor entre os modos aplicáveis. Daí λ0 = √(A·fy/Ne) e o fator de redução χ = 0,658λ0² para λ0 ≤ 1,5, ou χ = 0,877/λ0² acima disso. Finalmente Nc,Rd = χ·Aef·fy/1,20, com Aef para σ = χ·fy, limitado ainda pelo distorcional.

5. Flexão — escoamento da seção efetiva e FLT

Dois valores, e vale o menor (com o distorcional). O início de escoamento da seção efetiva dá MRd = Wef·fy/1,10, com Wef calculado para σ = fy. A FLT exige o momento crítico elástico: em monossimétricas fletidas no eixo de simetria, Me = Cb·r0·√(Ney·Nez); nas ponto-simétricas (Z) entra o coeficiente 0,5. Com λ0 = √(W·fy/Me), tem-se χFLT = 1 para λ0 ≤ 0,6; χFLT = 1,11·(1 − 0,278·λ0²) para 0,6 < λ0 < 1,336; e χFLT = 1/λ0² para λ0 ≥ 1,336. Então MRd,FLT = χFLT·Wc,ef·fy/1,10, com Wc,ef para σ = χFLT·fy.

6. Cortante

Com λv = h/t (h = trecho reto da alma) e kv = 5,0 para alma sem enrijecedores transversais:

  • λv ≤ 1,08·√(E·kv/fy) → escoamento: VRd = 0,6·fy·h·t / 1,10;
  • até 1,40·√(E·kv/fy) → inelástico: VRd = 0,65·t²·√(E·kv·fy) / 1,10;
  • acima → elástico: VRd = 0,905·E·kv·t³/(h · 1,10).

Só com enrijecedores de alma conforme a norma é que kv = 5 + 5/(a/h)², com a = espaçamento real entre eles.

7. Interações e esbeltez

Nenhuma verificação isolada aprova o perfil. A flexo-compressão é Nd/Nc,Rd + Mx,d/Mx,Rd + My,d/My,Rd ≤ 1,0, a única expressão de interação da NBR 14762:2010 (§9.9) — e ela não substitui a análise: Nd, Mx,d e My,d devem vir de uma análise que já inclua os efeitos de segunda ordem (§8.1, que remete à ABNT NBR 8800). A edição de 2010 não traz verificação adicional com momentos amplificados nem dispensa por Nd/Nc,Rd ≤ 0,15.

Flexão e cortante interagem por (Mx,d/Mx,Rd)² + (Vd/VRd)² ≤ 1,0, com Mx,Rd tomado como o momento de início de escoamento da seção efetiva (o §9.8.4 remete ao §9.8.2.1) — usar aí o valor já reduzido pela FLT é conservador. Por fim, a esbeltez KL/r não deve exceder 200 em barras comprimidas (§9.7.4); em barras tracionadas a Norma recomenda L/r ≤ 300 (§9.6.3).

Exemplo numérico

Terça de galpão (números demonstrativos). Vão de 5,00 m, terças a cada 2,00 m, telhado com 10% de inclinação (cos α = 0,995; sen α = 0,0995), uma linha de correntes no meio do vão. Perfil Ue 150×60×20×2,65 (6,09 kg/m), aço ASTM A36 (fy = 250 MPa): A = 7,75 cm²; Ix = 266,92 cm⁴; Iy = 38,04 cm⁴; Wx = 35,59 cm³; Wy = 9,33 cm³; rx = 5,87 cm; ry = 2,22 cm; It = 0,1811 cm⁴; Cw = 1792,4 cm⁶; x0 = −4,56 cm; r0 = 7,75 cm.

Ações: peso próprio do perfil 0,06 kN/m (γg = 1,25, estrutura metálica); telha e acessórios 0,24 kN/m (γg = 1,35, elementos construtivos industrializados); sobrecarga 0,50 kN/m (0,25 kN/m² × 2,00 m, γq = 1,50). Logo qd = 1,25 × 0,06 + 1,35 × 0,24 + 1,50 × 0,50 = 1,15 kN/m, decomposta em 1,15 × 0,995 = 1,14 kN/m perpendicular ao telhado e 1,15 × 0,0995 = 0,114 kN/m paralela.

  • Mx,d = 1,14 × 5,00²/8 = 3,56 kN·m = 356 kN·cm
  • My,d = 0,114 × 5,00²/32 = 0,089 kN·m = 8,9 kN·cm (as correntes reduzem o vão a L/2)
  • Vd = 1,14 × 5,00/2 = 2,85 kN; Nd = 15 kN (travamento da cobertura)
  • Lx = 500 cm; Ly = Lt = 250 cm; Cb = 1,0
EtapaValorVerificação
Nex / Ney / Nez → Nexz210,8 / 120,1 / 117,4 → 92,4 kNNe = 92,4 kN: governa a flexo-torção
λ0 = √(7,75 × 25 / 92,4) → χ1,448 → 0,4157λ0 ≤ 1,5 → χ = 0,6582,097
Nc,Rd = 0,4157 × 7,75 × 25 / 1,2067,1 kNAef = A; distorcional 150,0 kN não governa
Mx,esc,Rd = 35,59 × 25 / 1,10808,9 kN·cmWx,ef = 35,59 cm³, sem redução
Me = 1,0 × 7,75 × √(120,1 × 117,4) → χFLT920,3 kN·cm → 0,8118λ0,FLT = 0,983 (0,6 < λ0 < 1,336)
Mx,Rd = min(808,9; 656,6)656,6 kN·cmgoverna a FLT — razão 0,542
My,Rd = 0,9268 × 9,33 × 25 / 1,10196,5 kN·cmFLT no eixo y — razão 0,045
VRd = 0,6 × 25 × 13,94 × 0,265 / 1,1050,4 kNλv = 52,6 ≤ 68,3 — razão 0,057
Flexo-compressão0,224 + 0,542 + 0,045 = 0,811≤ 1,0 — aprovado
Flexão + cortante(356/808,9)² + (2,85/50,4)² = 0,197≤ 1,0 — aprovado
Esbeltez λx / λy85,2 / 112,6≤ 200 (barra comprimida)

O perfil passa, com a FLT governando a flexão e aproveitamento global de 81%. Quem sustenta o resultado são as correntes: sem elas (Ly = Lt = 500 cm), Me cai a 290,5 kN·cm, λ0,FLT sobe a 1,750, χFLT cai a 0,3265 e Mx,Rd vira 264,1 kN·cm — razão 1,35, reprovado, com λy = 225,2 acima de 200.

Ressalva: o exemplo cobre só a combinação gravitacional. A sucção de vento (γg = 1,00 nas permanentes favoráveis) inverte o momento, deixa comprimida a mesa livre e obriga a refazer a FLT — inclusive pelo Anexo F da NBR 14762:2010, com a mesa tracionada conectada à telha. Em terças, é ela que costuma governar.

Erros comuns

  • Calcular com a seção bruta e parar aí. Em chapa fina a seção bruta é referência, não resistência: sem MLE ou MSE, compressão e flexão saem contra a segurança.
  • Esquecer a flambagem distorcional. Não está embutida na seção efetiva nem na global — é uma terceira verificação e, em Ue com enrijecedor curto, é ela que governa.
  • Adotar Lt = Lx por hábito. Lt é a distância entre pontos que impedem a torção da seção. Correntes e mãos-francesas mudam Ly e Lt — é aí que se decide a FLT.
  • Entrar com esforços característicos. As verificações comparam esforços de cálculo com resistências de cálculo: se a combinação já foi feita na análise, não se majora de novo; se não foi, não dá para esquecer.
  • Usar kv = 5 + 5/(a/h)² sem enrijecedor transversal. Sem enrijecedores de alma, kv = 5,0; comprimento de flambagem não é espaçamento de enrijecedor, e trocar um pelo outro superestima VRd.
  • Trocar Ue por U só pelo peso. Sem enrijecedor a mesa vira elemento AL (k = 0,43) e perde largura efetiva de saída: no caso acima, o U 150×50×2,65 reprova na flexão com razão 1,10.

Responsabilidade técnica

Nenhuma ferramenta — inclusive a nossa — substitui o projetista. Os esforços vêm do modelo estrutural e das combinações do engenheiro; comprimentos de flambagem, contenções laterais e Cb são decisão de projeto, não de software. Ligações, furações, emendas, carga concentrada na alma, perfis fora da NBR 6355 e incêndio exigem análise específica. A conferência das hipóteses e a responsabilidade técnica (ART/RRT) permanecem com o engenheiro civil habilitado.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula da largura efetiva pelo Método das Larguras Efetivas (MLE)?

Calcula-se o índice de esbeltez reduzido do elemento, λp = (b/t)/[0,95·√(k·E/σ)], com b medido na parte plana, sem as dobras. Se λp ≤ 0,673 o elemento é integralmente efetivo (bef = b); acima disso, bef = b·(1 − 0,22/λp)/λp, a expressão de Winter adotada pela NBR 14762:2010. O coeficiente k vale 4 para elemento apoiado nas duas bordas sob compressão uniforme, 24 para alma em flexão pura e 0,43 para elemento apoiado numa borda e livre na outra. A tensão σ é fy no início de escoamento da seção efetiva, χ·fy na compressão e χFLT·fy na FLT (§9.2.2.1), e como ela depende das propriedades efetivas o cálculo é iterativo.

Como calcular a força axial de compressão resistente Nc,Rd de um perfil formado a frio?

Determine primeiro a força axial de flambagem elástica Ne, o menor valor entre a flexão (Nex, Ney), a torção (Nez) e a flexo-torção (Nexz). Depois λ0 = √(A·fy/Ne) e o fator de redução χ = 0,658^(λ0²) para λ0 ≤ 1,5, ou χ = 0,877/λ0² acima disso. Então Nc,Rd = χ·Aef·fy/1,20, com Aef obtido pela seção efetiva (MLE ou MSE) para a tensão σ = χ·fy. O valor final é o menor entre esse resultado e a resistência à flambagem distorcional.

O que é flambagem distorcional e como verificá-la pela NBR 14762?

É o modo de instabilidade em que o conjunto mesa + enrijecedor de borda gira em torno da junção com a alma, distorcendo a seção — típico de perfis Ue e Ze. Na compressão, λdist = √(A·fy/Ndist): χdist = 1 se λdist ≤ 0,561; senão χdist = (1 − 0,25/λdist^1,2)/λdist^1,2, e Nc,Rd,dist = χdist·A·fy/1,20. Na flexão, o limite é 0,673 e χdist = (1 − 0,22/λdist)/λdist. A verificação usa a seção bruta, não a efetiva, e é independente da flambagem local e da global.

Qual a diferença entre perfil U e U enrijecido (Ue)?

O Ue tem um enrijecedor de borda (o lábio) na ponta de cada mesa. Sem ele, a mesa é elemento apoiado-livre com k = 0,43 e perde largura efetiva cedo; com o enrijecedor, k sobe até 4 e a mesa pode ficar integralmente efetiva. Numa terça de 5,00 m com as mesmas cargas, um U 150×50×2,65 (5,02 kg/m) reprova na flexão com razão 1,10, enquanto o Ue 150×60×20×2,65 (6,09 kg/m) passa com 0,54. Em contrapartida, o Ue exige a verificação de flambagem distorcional.

Como calcular o cortante resistente VRd de um perfil formado a frio?

Com λv = h/t e kv = 5,0 para alma sem enrijecedores transversais: se λv ≤ 1,08·√(E·kv/fy), VRd = 0,6·fy·h·t/1,10 (escoamento); até 1,40·√(E·kv/fy), VRd = 0,65·t²·√(E·kv·fy)/1,10; acima disso, VRd = 0,905·E·kv·t³/(h·1,10). Exemplo: alma reta de 13,94 cm com t = 0,265 cm e fy = 250 MPa dá λv = 52,6 ≤ 68,3, logo VRd = 0,6 × 25 × 13,94 × 0,265/1,10 = 50,4 kN.

Como verificar a flexo-compressão de uma terça metálica?

Pela interação Nd/Nc,Rd + Mx,d/Mx,Rd + My,d/My,Rd ≤ 1,0, a única expressão de flexo-compressão da NBR 14762:2010 (§9.9), com cada resistência já reduzida pelas instabilidades e calculada com seção efetiva. Os esforços têm de vir de uma análise estrutural que já inclua os efeitos de segunda ordem (§8.1, que remete à NBR 8800): a edição de 2010 não traz verificação extra com momentos amplificados nem dispensa por Nd/Nc,Rd ≤ 0,15. Flexão e cortante interagem à parte, por (Mx,d/Mx,Rd)² + (Vd/VRd)² ≤ 1,0.

Para que servem as correntes (tirantes) entre terças de galpão?

Elas reduzem os comprimentos Ly e Lt, que comandam a flambagem lateral com torção e a esbeltez no eixo fraco, e ainda absorvem a componente do carregamento paralela ao plano do telhado, diminuindo My. Numa terça Ue 150×60×20×2,65 de 5,00 m, uma linha de correntes no meio do vão eleva Mx,Rd de 264,1 para 656,6 kN·cm (χFLT sobe de 0,33 para 0,81) e derruba λy de 225 para 113 — a diferença entre reprovar e aprovar.

Qual a esbeltez máxima permitida em perfis formados a frio?

Pela NBR 14762:2010 §9.7.4, o índice de esbeltez KL/r não deve exceder 200 em barras comprimidas; para barras tracionadas o §9.6.3 recomenda L/r ≤ 300. Para barras apenas fletidas a Norma não fixa limite de esbeltez. Verifica-se em cada plano, com os raios de giração da seção bruta: λx = Lx/rx e λy = Ly/ry. Numa terça Ue 150×60×20×2,65 com Lx = 500 cm (rx = 5,87 cm) e Ly = 250 cm (ry = 2,22 cm) resultam λx = 85 e λy = 113, ambos abaixo de 200.

Faça esse cálculo no CalcproX

Perfis Formados a Frio — Dimensionamento pela NBR 14762

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Eng. Mauro Moura, Engenheiro civil · Sócio-proprietário da Ossamu Engenharia

Sobre o autor

Eng. Mauro Moura

Engenheiro civil · Sócio-proprietário da Ossamu Engenharia

  • Engenheiro civil formado pela PUC-SP
  • Pós-graduado em Edifícios Altos pelo Mackenzie
  • Sócio-proprietário da Ossamu Engenharia
  • Mais de 10 anos projetando estruturas e fundações

Conteúdo informativo. A interpretação dos resultados e a responsabilidade técnica do projeto são sempre do engenheiro responsável.