Fundações
Dimensionamento de Estacas: capacidade de carga pelo SPT
A calculadora de Capacidade de Estacas do CalcproX determina a carga admissível de estacas a partir do perfil de sondagem SPT, aplicando lado a lado cinco métodos consagrados: Aoki-Velloso, Décourt-Quaresma, Teixeira, David Cabral e Antunes-Cabral. O engenheiro lança a sondagem, define o tipo e a geometria da estaca e recebe a capacidade metro a metro, com gráfico comparativo entre os métodos e memorial de cálculo exportável em PDF e Word.

O que é o cálculo de capacidade de carga de estacas
Dimensionar uma estaca, do ponto de vista geotécnico, é determinar a profundidade e a seção necessárias para que o conjunto solo-estaca suporte a carga de projeto com segurança. A capacidade de carga na ruptura soma duas parcelas: a resistência de ponta (Rp), mobilizada na base da estaca, e o atrito lateral (Rl), acumulado ao longo do fuste. A carga admissível resulta da aplicação de fatores de segurança sobre essas parcelas, conforme a ABNT NBR 6122.
Na prática brasileira, esse cálculo parte quase sempre da sondagem à percussão (SPT, executada conforme a ABNT NBR 6484): métodos semi-empíricos consagrados correlacionam o índice N de cada camada com as resistências unitárias de ponta e de atrito.
Quando se usa
É a rotina de qualquer projeto de fundações profundas: escolher a cota de assentamento das estacas, comparar processos executivos para o mesmo terreno, verificar um estaqueamento existente ou estudar estacas submetidas a tração. A NBR 6122 admite expressamente a previsão da capacidade de carga por métodos semi-empíricos, cabendo ao projetista adotar o método compatível com o tipo de estaca e com o perfil investigado.
Como o CalcproX resolve
1. Sondagem e dados da estaca
Na aba de sondagem, o engenheiro lança o perfil SPT metro a metro — profundidade, N e tipo de solo, com 15 classificações entre areias, siltes e argilas — além do nível d'água. Em seguida define a estaca: diâmetro, comprimento e processo executivo, entre moldadas in loco (hélice contínua, escavada, Franki, raiz, ômega, Strauss, estacão, apiloada, injetada) e pré-moldadas (concreto vibrado ou centrifugado, madeira e metálica — com catálogo de perfis de aço que preenche área e perímetro automaticamente). Camadas superficiais de aterro ou solo mole podem ser desprezadas no atrito lateral.
2. Cinco métodos calculados em paralelo
A mesma sondagem alimenta simultaneamente Aoki-Velloso (1975), Décourt-Quaresma (1978), Teixeira (1996), David Cabral (específico para estaca raiz, com compressão e tração) e Antunes-Cabral (1996) — este com dois modos: solo, para hélice contínua via SPT, e rocha, para hélice ou raiz embutida em rocha, considerando a resistência da rocha, o grau de alteração e o critério de embutimento. Os resultados saem metro a metro e num gráfico comparativo de capacidade por profundidade, que mostra de imediato em que cota cada método atinge a carga desejada.
3. Fatores de segurança e coeficientes sob controle do projetista
Os fatores de segurança são editáveis por método: FS global (padrão 2,0), fatores parciais de ponta e de atrito no Décourt-Quaresma (padrão 4,0 e 1,3) e FS distintos de compressão e tração no David Cabral. Os percentuais de contribuição de ponta e de atrito lateral também podem ser ajustados. Na aba de configurações, as tabelas de coeficientes de cada método — K e α por tipo de solo, F1 e F2 por tipo de estaca e os demais coeficientes de solo — ficam abertas para edição, e em contas Enterprise a configuração publicada pelo responsável vale para toda a equipe.
4. Tração e unidades
A análise de tração opcional zera a parcela de ponta e reduz o atrito lateral por um coeficiente definido pelo usuário, entregando a carga admissível à tração de cada método. Os resumos podem ser exibidos em kN ou tf, à escolha do engenheiro.
Memorial e exportações
A aba de exportação gera o memorial de cálculo com as tabelas de todos os métodos, a sondagem utilizada e os fatores adotados, em PDF ou Word — do cálculo atual ou de vários cálculos salvos de uma só vez. Cada cálculo fica salvo por obra, e o perfil de sondagem SPT pode ser reaproveitado em outros cálculos da mesma obra, sem redigitação.
Responsabilidade do engenheiro
A calculadora automatiza a aplicação dos métodos e a montagem do memorial, mas não substitui o julgamento profissional. A escolha do método, dos coeficientes e dos fatores de segurança, a avaliação da qualidade e da representatividade da sondagem e a decisão final da cota de assentamento são do engenheiro responsável pelo projeto, nos termos da ABNT NBR 6122 — incluindo a realização de provas de carga quando a norma o exigir.
Aplicações práticas
- Definição da cota de assentamento de estacas em projetos de fundações profundas
- Pré-dimensionamento e verificação de estaqueamentos em hélice contínua, escavada, Franki, raiz, pré-moldada e metálica
- Estudo comparativo entre métodos semi-empíricos para o mesmo perfil de sondagem
- Verificação de estacas submetidas a tração (torres, galpões, blocos com momento)
- Estacas raiz e hélice contínua embutidas em rocha
- Elaboração de memorial de cálculo para apresentação e arquivo do projeto
Dados de entrada e resultados
O que você informa
- Perfil de sondagem SPT camada a camada: profundidade, índice N e tipo de solo (15 classificações, de areia a argila com os intermediários)
- Nível d'água do terreno
- Diâmetro do fuste (cm) e comprimento da estaca (m)
- Processo executivo: moldada in loco (hélice contínua, escavada, Franki, raiz, ômega, Strauss, estacão, apiloada, injetada) ou pré-moldada (concreto vibrado/centrifugado, madeira, metálica)
- Perfil metálico de catálogo (área e perímetro preenchidos automaticamente) ou seção informada manualmente
- Camadas superficiais a desprezar no atrito lateral (aterro ou solo mole)
- Fatores de segurança editáveis por método (global; ponta e atrito no Décourt-Quaresma; compressão e tração no David Cabral)
- Percentuais de contribuição de ponta e de atrito lateral por método
- Parâmetros de rocha para embutimento: resistência da rocha, grau de alteração, fck da estaca, cota do topo da rocha, critério de embutimento e redução de seção
- Tabelas de coeficientes dos métodos editáveis na aba de configurações (K e α por solo, F1 e F2 por estaca, demais coeficientes)
O que a calculadora entrega
- Carga admissível por método, exibida em kN ou tf
- Carga de ruptura com as parcelas de ponta (Rp) e de atrito lateral (Rl)
- Tabela de capacidade metro a metro ao longo da profundidade
- Gráfico comparativo capacidade x profundidade dos cinco métodos
- Carga admissível à tração por método, quando a análise de tração está ativa
- Resumo lado a lado dos métodos para decisão da cota de assentamento
- Verificação de estaca raiz e hélice embutidas em rocha (David Cabral e Antunes-Cabral modo rocha)
- Memorial de cálculo com todas as tabelas, sondagem e fatores adotados
Métodos de cálculo
- Aoki-Velloso (1975)
- Décourt-Quaresma (1978)
- Teixeira (1996)
- David Cabral — estaca raiz (compressão e tração)
- Antunes-Cabral (1996) — modo solo (SPT) e modo rocha (embutimento em rocha)
Normas técnicas relacionadas
Veja em ação

Observações técnicas
Os resultados dependem dos dados informados. A interpretação, a validação e a responsabilidade técnica do projeto são sempre do engenheiro responsável.
Perguntas frequentes
Como dimensionar uma estaca a partir do SPT?
Lança-se o perfil de sondagem (N e tipo de solo metro a metro), define-se o tipo e o diâmetro da estaca e aplica-se um método semi-empírico que converte o SPT em resistência de ponta e atrito lateral. A carga admissível é a soma das parcelas dividida pelo fator de segurança, e a cota de parada é aquela em que essa carga atinge a carga do pilar. No CalcproX esse fluxo é automático e cinco métodos são calculados de uma vez.
Qual a diferença entre Aoki-Velloso e Décourt-Quaresma?
Aoki-Velloso usa coeficientes K e α por tipo de solo com fatores F1 e F2 por tipo de estaca e FS global (usualmente 2,0). Décourt-Quaresma usa coeficiente próprio por categoria de solo, fatores parciais distintos para ponta (4,0) e atrito (1,3) e despreza por convenção o atrito das camadas superficiais. Comparar os dois no mesmo perfil é prática corrente de projeto — a calculadora mostra ambos lado a lado.
Qual fator de segurança usar no dimensionamento de estacas?
Para métodos semi-empíricos sem prova de carga, a referência da NBR 6122 é fator de segurança global 2,0; o Décourt-Quaresma trabalha com fatores parciais próprios de ponta e atrito. Na calculadora todos os fatores são editáveis, e a adoção final é decisão do engenheiro responsável.
Preciso de sondagem SPT para dimensionar estacas?
Sim. Os métodos semi-empíricos consagrados no Brasil correlacionam diretamente o índice N do SPT com as resistências unitárias, portanto a sondagem executada conforme a NBR 6484 é o dado de entrada essencial. A qualidade e a posição dos furos condicionam a confiabilidade do resultado.
Como calcular a capacidade de carga de estaca hélice contínua?
A rotina é a mesma: sondagem SPT, diâmetro e comprimento, e aplicação dos métodos com os coeficientes próprios de hélice contínua. Além de Aoki-Velloso, Décourt-Quaresma e Teixeira, a calculadora inclui o Antunes-Cabral em modo solo, desenvolvido especificamente para hélice contínua a partir do SPT.
Como dimensionar estaca raiz embutida em rocha?
A calculadora traz o método David Cabral, específico para estaca raiz, e o Antunes-Cabral em modo rocha. Informa-se a resistência da rocha, o grau de alteração, a cota do topo da rocha e o critério de embutimento, com opção de redução de seção no trecho embutido, e obtém-se a carga admissível de compressão e de tração.
A calculadora verifica estaca à tração?
Sim. A análise de tração opcional zera a contribuição da ponta e reduz o atrito lateral por um coeficiente definido pelo usuário, entregando a carga admissível à tração para cada método; no David Cabral há fator de segurança próprio de tração.
Posso substituir minha planilha Excel de capacidade de estacas?
Sim. A calculadora reúne cinco métodos com tabelas de coeficientes editáveis, salva os cálculos por obra, reaproveita perfis de sondagem e gera o memorial em PDF e Word — sem risco de fórmula quebrada em célula. Os fatores de segurança e coeficientes permanecem sob controle total do engenheiro.
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Conteúdo revisado por Eng. Mauro Moura. Última revisão: 03/08/2026.
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