Fundações

Dimensionamento de Tubulão a Céu Aberto (NBR 6122)

A calculadora de Tubulão do CalcproX dimensiona a base alargada a partir do perfil de sondagem SPT, verifica o comportamento lateral e a estabilidade do elemento, calcula a armadura de flexo-compressão e de tração e monta o detalhamento completo. O cálculo segue a NBR 6122:2019 e a NBR 6118, com memorial exportável em Word, PDF e DXF.

Tela da calculadora de tubulão do CalcproX

O que é o dimensionamento de tubulão

Tubulão é um elemento de fundação profunda escavado no terreno, formado por um fuste cilíndrico e, na maioria dos casos, uma base alargada em tronco de cone que apoia a carga do pilar diretamente na cota de solo resistente. O dimensionamento tem duas frentes que precisam fechar juntas: a geotécnica — definir o diâmetro da base para que a tensão transmitida ao solo não ultrapasse a tensão admissível na cota de apoio — e a estrutural — verificar o fuste à compressão, a flexo-compressão (e a flexo-tração, quando há arrancamento), o contato pilar-fuste e o detalhamento da armadura.

No Brasil o cálculo é regido pela NBR 6122:2019 (projeto e execução de fundações), que define os coeficientes de ponderação do concreto conforme o tipo de encamisamento e os requisitos geométricos da base, e pela NBR 6118 na parte estrutural. Para tubulão a céu aberto com descida de operário, a NR-18 impõe diâmetro mínimo de fuste de 70 cm.

Quando se usa esse cálculo

O tubulão é competitivo quando existe uma camada resistente em profundidade alcançável por escavação e as cargas por pilar são elevadas. A base alargada permite concentrar toda a carga em um único elemento, muitas vezes dispensando o bloco de coroamento sobre estacas. O cálculo também é necessário quando a fundação recebe esforços horizontais e momento (pórticos, torres, pontes) ou tração (arrancamento), casos em que a simples divisão da carga pela área da base não é suficiente.

Como o CalcproX resolve

O fluxo da ferramenta reproduz a sequência de projeto real:

  1. Geometria: você define fuste, base circular ou em falsa elipse (com controle da razão entre eixos), comprimento enterrado, altura acima do terreno, rodapé e ângulo do tronco. A ferramenta calcula áreas, alturas e volumes de concreto e de escavação, emitindo avisos normativos automáticos — rodapé mínimo de 20 cm, altura máxima da base e diâmetro mínimo do fuste.
  2. Sondagem: o perfil SPT é lançado metro a metro (profundidade, golpes e tipo de solo), com posição do nível d'água. A ferramenta identifica o solo dominante e permite editar os parâmetros geotécnicos (peso específico, ângulo de atrito, coesão, coeficientes de reação e de empuxo).
  3. Tensão admissível: até quatro métodos selecionáveis — bulbo de tensões com SPT médio, NSPT/3 (com limite de validade em NSPT = 20), método de Mello e método de Terzaghi — além do modo manual em kgf/cm². O valor governante é comparado à tensão atuante na base.
  4. Comportamento lateral: o fator de rigidez Z classifica o tubulão como rígido ou flexível e define o modelo aplicável — modelo de Winkler, método russo ou viga sobre apoio elástico com coeficiente de reação horizontal variável em profundidade. Saem rotação, deslocamentos, diagramas de momento e cortante ao longo do fuste e o coeficiente de segurança à estabilidade lateral.
  5. Arrancamento: quando há tração, a verificação usa o método do cone, particionando o volume acima e abaixo do nível d'água (peso seco e submerso) e comparando com a tração de cálculo.
  6. Estrutural: verificação do fuste à compressão com os coeficientes da NBR 6122:2019 por tipo de encamisamento (inclusive tubulão pneumático, com desconto da pressão de ar), flexo-compressão e flexo-tração da seção circular por curva de interação, pressão de contato no topo do fuste e armadura de fretagem quando o critério de dispensa não é atendido.
  7. Detalhamento: número de barras, bitola, espaçamentos livres e entre eixos com os limites da NBR 6118, estribos, comprimentos e peso total de aço — em modo automático ou manual, quando o engenheiro fixa a armadura.

Tudo converge para um painel com 19 verificações geotécnicas e estruturais, cada uma com status (atende, atenção ou não atende), a comparação numérica e a fórmula aplicada com os valores do seu caso — você enxerga de onde saiu cada resultado.

Memorial de cálculo e exportações

O cálculo pode ser salvo por obra e exportado em três formatos: Word (.docx) com tabelas, verificações, detalhamento e imagens do tubulão; PDF em formato A4 com as equações formatadas, pronto para compor o memorial descritivo; e DXF com corte longitudinal, planta e seção transversal em layers separadas, pronto para abrir no CAD e incorporar à prancha de fundações.

Responsabilidade do engenheiro

A calculadora automatiza a rotina de cálculo e dá transparência às verificações, mas não substitui o julgamento profissional. A qualidade do resultado depende da sondagem informada, e a escolha da geometria, dos parâmetros de solo e dos coeficientes de segurança — assim como a aprovação do projeto executivo — é responsabilidade do engenheiro responsável técnico, na forma da NBR 6122.

Aplicações práticas

  • Fundações de galpões industriais e edifícios com cargas concentradas elevadas por pilar
  • Torres, pórticos e estruturas com esforço horizontal, momento ou tração na fundação
  • Pontes e viadutos apoiados em camada resistente alcançável por escavação
  • Alternativa ao conjunto estacas + bloco de coroamento quando o solo admite base alargada
  • Verificação independente de projetos de fundação em tubulão já elaborados
  • Pré-dimensionamento em estudos de viabilidade comparando tubulão com outras fundações profundas

Dados de entrada e resultados

O que você informa

  • Geometria: tipo de base (circular ou falsa elipse), diâmetro do fuste (Df), diâmetro ou eixos da base (Db, a, b) e ângulo do tronco (β)
  • Comprimento enterrado (L), altura acima do terreno (H1) e altura do rodapé da base (H4)
  • Cargas características no topo: normal de compressão (Nk), horizontal (Hk) e momento (Mk)
  • Caso de tração opcional: Tk, Ht e Mt para verificação de arrancamento e flexo-tração
  • Perfil de sondagem SPT metro a metro (profundidade, NSPT e tipo de solo) e posição do nível d'água
  • Materiais: fck, fyk, cobrimento e tipo de encamisamento (sem camisa, camisa de concreto ou camisa de aço), com pressão de ar para tubulão pneumático
  • Métodos de tensão admissível selecionáveis (bulbo de tensões, NSPT/3, Mello, Terzaghi) ou valor manual em kgf/cm²
  • Dimensões do pilar no cabeçote (a × b) para verificação de contato e fretagem
  • Armadura: bitolas longitudinal e de estribo, espaçamentos, diâmetro máximo do agregado e modo manual (nº de barras fixado pelo engenheiro)
  • Parâmetros de solo editáveis (peso específico, ângulo de atrito, coesão, Nh, Kp, Ka) por camada dominante ou na tabela de solos

O que a calculadora entrega

  • Tensão admissível do solo por cada método selecionado, valor governante e comparação com a tensão atuante na base
  • Geometria completa com áreas, alturas e volumes de concreto (fuste, base, rodapé) e volume de escavação
  • Classificação rígido/flexível pelo fator Z e seleção automática do modelo lateral aplicável
  • Rotação, deslocamentos e diagramas de momento e cortante ao longo da profundidade (Winkler, método russo ou viga sobre apoio elástico)
  • Coeficiente de segurança à estabilidade lateral (empuxo resistente vs atuante)
  • Verificação ao arrancamento pelo método do cone, com ramos seco e submerso conforme o nível d'água
  • Armadura de flexo-compressão e flexo-tração da seção circular: As necessária, mínima, máxima e adotada, com o caso governante
  • Verificação do fuste à compressão (Df mínimo, NRd) e do contato pilar-tubulão, com armadura de fretagem quando necessária
  • Detalhamento: nº de barras, bitola, espaçamentos com limites da NBR 6118, estribos, comprimentos e peso total de aço
  • Painel consolidado com 19 verificações geotécnicas e estruturais, cada uma com status e fórmula aplicada com valores numéricos

Métodos de cálculo

  • Bulbo de tensões (SPT médio na zona de influência da base)
  • NSPT/3 (com limite de validade em NSPT = 20)
  • Método de Mello
  • Método de Terzaghi
  • Modelo de Winkler (tubulão rígido/curto)
  • Método russo
  • Viga sobre apoio elástico com Kh variável em profundidade (tubulão flexível/longo)
  • Método do cone de arrancamento (tração)

Normas técnicas relacionadas

NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundaçõesNBR 6118 — Projeto de estruturas de concretoNBR 7480 — Aço destinado a armaduras (bitolas comerciais CA-50/CA-60)NR-18 — Segurança em obras (diâmetro mínimo do fuste para descida de operário)

Veja em ação

Vídeo demonstrativo: Tubulão no CalcproX

Observações técnicas

Os resultados dependem dos dados informados. A interpretação, a validação e a responsabilidade técnica do projeto são sempre do engenheiro responsável.

Perguntas frequentes

Como dimensionar a base de um tubulão?

A base é dimensionada para que a tensão transmitida ao solo não ultrapasse a tensão admissível na cota de apoio, obtida do perfil SPT. No CalcproX você lança a sondagem, escolhe os métodos de tensão admissível (bulbo de tensões, NSPT/3, Mello, Terzaghi ou valor manual) e a ferramenta compara o governante com a tensão atuante para a base circular ou em falsa elipse adotada.

Qual o diâmetro mínimo do fuste de um tubulão a céu aberto?

Para tubulão a céu aberto com descida de operário, a NR-18 exige fuste com no mínimo 70 cm de diâmetro. A calculadora aplica esse piso automaticamente e ainda verifica o diâmetro mínimo exigido pela resistência do concreto do fuste.

Qual norma rege o dimensionamento de tubulões?

A NBR 6122:2019 rege o projeto geotécnico e executivo da fundação, incluindo os coeficientes de ponderação do concreto conforme o encamisamento. A parte estrutural — flexo-compressão, contato pilar-fuste, armadura mínima e espaçamentos — segue a NBR 6118.

Preciso de sondagem SPT para calcular um tubulão?

Sim. A tensão admissível da base, a classificação do solo dominante e os coeficientes de reação lateral derivam do perfil SPT. Na calculadora o perfil é lançado metro a metro, com tipo de solo e posição do nível d'água.

Como calcular a tensão admissível do solo pelo SPT?

Uma correlação usual é NSPT/3 em kgf/cm², válida para NSPT até 20 — acima disso a ferramenta trunca o valor e avisa. O CalcproX também calcula pelo bulbo de tensões com SPT médio na zona de influência da base e pelos métodos de Mello e Terzaghi, permitindo comparar os resultados antes de adotar o governante.

Tubulão resiste a esforço de tração (arrancamento)?

Sim, desde que verificado. A calculadora usa o método do cone: o peso do tubulão somado ao peso do cone de solo mobilizado deve superar a tração de cálculo com coeficiente de segurança, considerando o peso submerso abaixo do nível d'água. A armadura de flexo-tração da seção também é dimensionada.

O que é tubulão rígido e tubulão flexível?

A classificação vem do fator de rigidez Z, que compara o comprimento enterrado com a rigidez relativa fuste-solo: Z menor que 4 indica elemento rígido. Ela define o modelo lateral aplicável — Winkler ou método russo para o rígido, viga sobre apoio elástico para o flexível — e a calculadora faz essa seleção automaticamente.

A calculadora gera memorial de cálculo de tubulão?

Sim. O memorial sai em Word (.docx) com tabelas, verificações e detalhamento, em PDF formato A4 com as equações formatadas, e o desenho sai em DXF com corte longitudinal, planta e seção transversal em layers separadas para uso direto no CAD.

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Conteúdo revisado por Eng. Mauro Moura. Última revisão: 03/08/2026.