Protendido
Perdas de Protensão: cálculo das perdas imediatas e diferidas pela NBR 6118
A calculadora de Perdas de Protensão do CalcproX determina a força efetiva no cabo em cada etapa do concreto protendido, aplicando em cascata as perdas imediatas (atrito, encunhamento e deformação imediata do concreto) e as perdas progressivas (fluência, retração e relaxação) conforme a NBR 6118:2023. O engenheiro informa a geometria do elemento, os dados do aço e do concreto e os coeficientes normativos e recebe a força final P∞ por dois processos — método simplificado e processo aproximado — com verificação da tensão inicial no aço e memorial de cálculo exportável em PDF e Word.

O que são perdas de protensão
Perdas de protensão são as reduções da força aplicada ao cabo entre o macaco hidráulico e a situação final da peça em serviço. Elas se dividem em dois grupos: as perdas imediatas — atrito entre cabo e bainha, encunhamento (acomodação da ancoragem) e deformação imediata do concreto — e as perdas progressivas ou diferidas — fluência e retração do concreto e relaxação do aço, que se desenvolvem ao longo dos anos. O resultado do cálculo é a força efetiva P∞, que alimenta todas as verificações do elemento protendido.
Quando esse cálculo é necessário
Em qualquer projeto de concreto protendido. Sem estimar as perdas, a força adotada nas verificações fica irreal: superestimar P∞ é contra a segurança; subestimar leva a mais cordoalhas do que o necessário. A ordem de grandeza usual da perda total fica entre 20% e 30% da força de macaco, mas o valor depende do traçado do cabo, do sistema de ancoragem, da idade do concreto na protensão e das condições de fluência e retração — por isso o cálculo é feito caso a caso, seguindo a NBR 6118:2023.
Como o CalcproX resolve
1. Dados do elemento e da protensão
O engenheiro informa a seção (bw e h), o comprimento L e a excentricidade máxima do cabo ep; os dados das cordoalhas (área unitária Ap₁, número Nc, força de macaco Pi, módulo Ep e resistência fptk); o concreto (fck, coeficiente αE do agregado, idade t₀ na data da protensão e tipo de cimento CP I/II, CP III/IV ou CP V-ARI); e os esforços balanceados pelo peso próprio (Mbal e Nbal). A ferramenta calcula automaticamente Ap,tot, Ac, Ic, a taxa ρp, a resistência do concreto na idade da protensão fck,j — pelo coeficiente β₁ do §12.3.3 da NBR 6118, função do tipo de cimento — e os módulos Eci aos 28 dias e na data t₀.
2. Perdas imediatas, etapa por etapa
As perdas imediatas são aplicadas em cascata, cada etapa partindo da força que restou da anterior:
- Atrito: com o coeficiente de atrito μ, a perda parasita k e os somatórios Σx (comprimentos) e Σα (desvios angulares do cabo), a formulação exponencial entrega ΔP, a força P₀ após o atrito e o percentual perdido;
- Encunhamento: o recuo δ da ancoragem vira deformação perdida Δεp = δ/L e queda de tensão Δσp = Ep·Δεp;
- Deformação imediata do concreto: a protensão sequencial das Nc cordoalhas é considerada pelo fator (Nc−1)/(2·Nc) aplicado à tensão σc,p0g no nível do cabo.
Ao fim das perdas imediatas, a ferramenta verifica a tensão inicial no aço de protensão — |σpi| ≤ 0,77·fptk — e exibe selo visual de conformidade ou não conformidade.
3. Perdas progressivas por dois caminhos
Para fluência, retração e relaxação, o CalcproX calcula em paralelo o método simplificado da NBR 6118 — com os coeficientes χ, χc, χp, η e a taxa ρp, considerando a interação entre as três parcelas — e o processo aproximado, que funciona como contraprova. Cada um entrega Δσp, ΔP, a força final P∞ e a perda total percentual. Os coeficientes normativos não precisam ser buscados fora da tela: a relaxação parte de ψ₁₀₀₀ (Tabela 8.4) com ψ(t,t₀) = 2,5·ψ₁₀₀₀, e um botão abre a Tabela 8.1 da NBR 6118:2023 para consulta de φ(t,t₀) e εcs(t,t₀), além da tabela de valores usuais do anexo da norma.
4. Leitura rápida do resultado
Um gráfico de barras decompõe a perda total por etapa — atrito, encunhamento, deformação imediata e parcela diferida — e os cartões de resultado mudam de cor quando um percentual foge dos patamares usuais (perda total acima de 20% em alerta, acima de 30% em vermelho). A aba de dados de cálculo exibe as fórmulas de cada etapa em notação matemática, e as seções mostram as equações com os números do caso aplicados, facilitando a conferência independente.
Memorial e exportações
O memorial de cálculo sai em PDF (visualização de impressão pronta para arquivo) ou Word, com sete seções: dados de entrada, dados automáticos, perda por atrito, perda por encunhamento, deformação imediata, fluência/relaxação/retração e resumo das perdas. Os cálculos ficam salvos por obra — dá para manter um cálculo por elemento, recarregar, atualizar e exportar vários cálculos salvos de uma só vez num único documento.
Responsabilidade do engenheiro
A calculadora automatiza a sequência de cálculo e a montagem do memorial, mas não substitui o julgamento profissional. A escolha de μ, k e do recuo de ancoragem (dados do sistema de protensão adotado), dos coeficientes de fluência, retração e relaxação e a validação do resultado final são do engenheiro responsável pelo projeto, nos termos da ABNT NBR 6118.
Aplicações práticas
- Determinação da força final P∞ de vigas e elementos protendidos para as verificações em vazio e em serviço
- Avaliação do impacto do traçado do cabo (desvios angulares e comprimento) na perda por atrito
- Comparação entre o método simplificado e o processo aproximado para as perdas diferidas
- Estudo de sensibilidade da idade da protensão t₀ e do tipo de cimento na resistência fck,j e na deformação imediata
- Verificação da tensão inicial no aço de protensão contra o limite 0,77·fptk
- Elaboração de memorial de cálculo das perdas para arquivo e apresentação do projeto
Dados de entrada e resultados
O que você informa
- Cordoalhas: área de uma cordoalha Ap₁ (cm²), número de cordoalhas Nc e força inicial no macaco Pi (tf)
- Aço de protensão: módulo de elasticidade Ep (GPa) e resistência última fptk (MPa)
- Concreto: fck (MPa), coeficiente αE do tipo de agregado, idade t₀ na data da protensão (dias) e tipo de cimento (CP I/II, CP III/IV ou CP V-ARI)
- Geometria do elemento: base bw e altura h da seção (cm), comprimento L (m) e excentricidade máxima do cabo ep (cm)
- Esforços balanceados pelo peso próprio: momento Mbal (tf·m) e força normal Nbal (tf)
- Atrito: coeficiente de atrito cabo-bainha μ, perda parasita k (1/m), somatório de comprimentos Σx (m) e de desvios angulares Σα (graus)
- Encunhamento: recuo da ancoragem δ (mm)
- Perdas progressivas: coeficiente de relaxação ψ₁₀₀₀ (Tabela 8.4), coeficiente de fluência φ(t,t₀) e retração εcs(t,t₀) — com a Tabela 8.1 da NBR 6118:2023 consultável na própria tela
O que a calculadora entrega
- Dados automáticos: Ap,tot, Ac, Ic, taxa ρp, fck na idade t₀ (β₁ do §12.3.3), módulos Eci aos 28 dias e na data da protensão e força total de protensão
- Perda por atrito: ΔP, força P₀ após o atrito e percentual de perda
- Perda por encunhamento: deformação Δεp, queda de tensão Δσp, ΔP e perda acumulada
- Perda por deformação imediata: αp, tensões σcp, σcg e σc,p0g no nível do cabo, Δσp, ΔP e P₀ resultante
- Verificação da tensão inicial no aço: |σpi| ≤ 0,77·fptk com selo de conformidade ou não conformidade
- Perdas progressivas pelo método simplificado: coeficientes χ, χc, χp e η, Δσp, ΔP, força final P∞ e perda total (%)
- Perdas progressivas pelo processo aproximado: Δσp, ΔP, P∞ e perda total (%) para comparação entre os dois caminhos
- Gráfico de barras com a composição das perdas por etapa e alertas de cor quando o percentual foge dos patamares usuais
Métodos de cálculo
- Perda por atrito cabo-bainha — formulação exponencial com μ·Σα + k·Σx
- Perda por encunhamento (acomodação da ancoragem) — recuo δ distribuído no comprimento do cabo
- Perda por deformação imediata do concreto — protensão sequencial das Nc cordoalhas, fator (Nc−1)/(2·Nc)
- Método simplificado da NBR 6118 para perdas progressivas — fluência, retração e relaxação com interação (χ, χc, χp, η, ρp)
- Processo aproximado da NBR 6118 para perdas progressivas — contraprova independente do método simplificado
- Relaxação do aço: ψ(t,t₀) = 2,5·ψ₁₀₀₀ e coeficiente χ = −ln(1 − ψ)
Normas técnicas relacionadas
Observações técnicas
Os resultados dependem dos dados informados. A interpretação, a validação e a responsabilidade técnica do projeto são sempre do engenheiro responsável.
Perguntas frequentes
O que são perdas de protensão?
São as reduções da força aplicada ao cabo entre o macaco hidráulico e a situação final da peça em serviço. Dividem-se em imediatas (atrito, encunhamento e deformação imediata do concreto) e progressivas (fluência, retração e relaxação). O projeto usa a força final P∞, já descontadas todas as parcelas.
Qual a diferença entre perdas imediatas e perdas diferidas?
As imediatas ocorrem durante ou logo após a operação de protensão: atrito cabo-bainha, acomodação da ancoragem (encunhamento) e encurtamento elástico do concreto. As diferidas (ou progressivas) se desenvolvem ao longo do tempo: fluência e retração do concreto e relaxação do aço. As duas famílias são calculadas em sequência para chegar à força efetiva final.
Quanto se perde de protensão em média?
A ordem de grandeza usual da perda total fica entre 20% e 30% da força de macaco, variando com o traçado do cabo, o sistema de ancoragem, a idade da protensão e as propriedades do concreto. A calculadora sinaliza em alerta perdas totais acima de 20% e em vermelho acima de 30%, mas o valor aceitável é decisão de projeto do engenheiro responsável.
Como se calcula a perda por atrito na pós-tração?
Pela variação exponencial da força ao longo do cabo: ΔP = P·(1 − e^−(μ·Σα + k·Σx)), em que μ é o coeficiente de atrito cabo-bainha, Σα o somatório dos desvios angulares, k a perda parasita por metro e Σx o comprimento acumulado. No CalcproX basta informar os quatro parâmetros; ΔP, a força restante P₀ e o percentual de perda saem automaticamente.
O que é perda por encunhamento (cravação da ancoragem)?
Ao transferir a força do macaco para a ancoragem, as cunhas se acomodam e o cabo recua alguns milímetros (δ), aliviando parte do alongamento. A deformação perdida é o recuo dividido pelo comprimento do cabo, e a queda de tensão é Δσp = Ep·Δεp. O valor de δ é dado do sistema de protensão adotado — recuos da ordem de 6 mm são comuns.
Existe limite para a tensão inicial no aço de protensão?
Sim — a NBR 6118 limita a tensão na armadura ativa na operação de protensão. A calculadora verifica |σpi| ≤ 0,77·fptk e exibe selo de conformidade ou não conformidade; se a verificação reprovar, é preciso rever a força de macaco ou a quantidade de cordoalhas.
Onde encontro os coeficientes de fluência e retração para o cálculo?
Na própria tela: um botão abre a Tabela 8.1 da NBR 6118:2023 com φ(t,t₀) e εcs(t,t₀) em função das condições de exposição e da idade t₀, além da tabela de valores usuais do anexo da norma. O coeficiente de relaxação ψ₁₀₀₀ segue a Tabela 8.4, conforme o tipo de aço e o nível de tensão.
A calculadora serve para pré-tração?
A formulação cobre o fluxo completo da pós-tração, com perdas de atrito em bainha e encunhamento da ancoragem. Em casos onde alguma parcela não existe, o engenheiro pode zerá-la nos dados de entrada (por exemplo, μ, k e desvios angulares nulos) e aproveitar as demais etapas — a avaliação de aplicabilidade é do projetista.
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Conteúdo revisado por Eng. Mauro Moura. Última revisão: 03/08/2026.
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